Poderá o comportamento não-verbal do prestador de cuidados de saúde modular os relatos de dor e os efeitos placebo?
Os efeitos de comportamentos não-verbais de prestadores de cuidados de saúde nos relatos de dor e efeitos placebo podem ser diferentes entre homens e mulheres.
Em que medida os limites do nosso corpo parecem desaparecer durante a meditação de atenção focada?
Investigação revela que uma sessão de meditação de atenção focada de 15 minutos permitiu esbater a fronteira entre o eu e o ambiente.
É possível regular a sensação de repugnância através da toma de placebo imaginário?
Estudo comparou os efeitos de um comprimido placebo e de um comprimido imaginário na redução da repugnância induzida visualmente.
Investigação sobre doença de Alzheimer vence Prémio BIAL de Medicina Clínica 2024
O neurorradiologista e investigador Tiago Gil Oliveira foi o grande vencedor do Prémio BIAL de Medicina Clínica 2024, com a obra “Uncovering the mysteries of brain regional susceptibility to neurodegeneration in Alzheimer’s disease: from neuropathology to brain magnetic resonance imaging”, que identifica as regiões cerebrais diferencialmente afetadas pela doença de Alzheimer, contribuindo para um diagnóstico mais preciso e precoce daquela que é a patologia neurodegenerativa mais prevalente em Portugal e no mundo.
Como a variabilidade da frequência cardíaca molda as redes cerebrais emocionais?
A conectividade cerebral e a função autónoma estão intimamente relacionadas à regulação emocional, interoceção e estabilidade autónoma. A Default Mode Network (DMN), uma rede associada a processos de autorreferência e emocionais, e a ínsula, uma região cerebral que desempenha um papel crucial na interoceção, regulação emocional e controlo autónomo, estão funcionalmente interconectadas. Estes dois componentes ativam-se frequentemente em conjunto durante certos processos mentais, o que sugere uma interação fundamental para funções cognitivas e emocionais. Com o objetivo de aprofundar a compreensão desta interação, um estudo liderado por Joana Coutinho investigou a conectividade funcional entre a ínsula e a DMN, explorando também a sua relação com a variabilidade da frequência cardíaca (HRV), um importante marcador da regulação autónoma. A HRV é uma medida da capacidade do sistema nervoso autónomo de responder ao stresse e de manter a estabilidade emocional, tornando-se, assim, um indicador relevante para o estudo da regulação emocional. Os resultados mostraram uma correlação positiva significativa entre a conectividade funcional da ínsula e da DMN, mas não foi observada uma relação direta entre essa conectividade e a HRV. Esta descoberta sugere que a interação entre a conectividade cerebral e a regulação autónoma é mais complexa do que se imaginava inicialmente e pode exigir modelos mais sofisticados para ser totalmente compreendida. Assim, estes resultados sublinham a importância de estudos futuros para uma compreensão mais detalhada dos circuitos cerebrais envolvidos na modulação da atividade cardíaca, o que pode levar ao desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes, especialmente para populações clínicas com alterações nestes processos. Este estudo foi publicado na revista científica Brain Sciences, no artigo Examining Insula – Default Mode Network Functional Connectivity and Its Relationship with Heart Rate Variability, no âmbito do projeto de investigação 87/12 - Neurobiological correlates of empathy in couples: A study of central and peripheral measures, apoiado pela Fundação BIAL.
O cérebro representa o corpo humano através da visão, da linguagem ou de ambos?
Investigações recentes apontam para a possibilidade de dois processos coexistirem na forma como o cérebro representa o corpo humano: um baseado em informações visuo-espaciais e outro em informações linguísticas. Esse modelo sugere que, além de dependermos da perceção visual para entender as relações entre as partes do corpo, também usamos informações extraídas da linguagem. Um estudo desenvolvido por Luca Rinaldi e colaboradores explorou esta ideia ao investigar diretamente se essas duas formas de representação - percetual e linguística - realmente coexistem. Para isso, os investigadores utilizaram modelos semânticos de distribuição (DSMs), ferramentas computacionais que analisam textos para identificar como palavras (e, neste caso, partes do corpo) estão relacionadas na linguagem. Por exemplo, palavras como "mão" aparecem frequentemente associadas a "braço" ou "dedo" nos textos. Essas relações linguísticas foram usadas para construir um mapa corporal, baseado nas distâncias semânticas entre diferentes partes do corpo. Para testar este mapa linguístico, os investigadores realizaram duas experiências comportamentais. Em ambas, os participantes precisavam avaliar a proximidade entre partes do corpo, apresentadas como palavras ou como imagens. Os resultados mostraram que tanto as informações percetuais (baseadas na visão) quanto as linguísticas (extraídas da linguagem) influenciavam o desempenho dos participantes. Em outras palavras, as representações linguísticas complementavam as visuais, sugerindo que o cérebro utiliza ambas as fontes de informação ao processar e organizar mentalmente o corpo humano. Estes resultados apoiam teorias que argumentam que as representações mentais combinam informações percetuais e linguísticas. Assim sendo, a nossa compreensão do corpo humano não depende apenas do que vemos, mas também de como a linguagem estrutura essa compreensão. Este estudo foi publicado na revista científica Journal of Cognition, no artigo A Body Map Beyond Perceptual Experience, no âmbito do projeto de investigação 13/22 - RE-thinking the role of the spatial memory system in cognitive MAPs (acronym: REMAP), apoiado pela Fundação BIAL.
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